Crise hídrica: falta água ou gestão?

Parece que a crise hídrica virou um assunto constante na mídia, pelo menos uma vez por semana algum veículo de notícias menciona a crise hídrica seja como forma de informação ou alerta, e muitas vezes como forma de justificativa para a falta de água (necessidade de racionamento de água), chuvas em excesso (que causam enchentes, alagamentos, deslizamentos). Se você fizer uma busca rápida no Google encontrará mais de 4 milhões de resultados sobre o tema!

Não há como deixar de se perguntar como o Brasil que detém de 12% da água doce do mundo, tem 33 mil m3/hab/ano (19 vezes a mais ao mínimo estabelecido pela ONU) que é suficiente para abastecer 57 vezes a demanda de água nacional, tem as bacias hidrográficas mais volumosas do mundo e um vasto litoral (VENTURI, 2021), além dos maiores aquíferos do mundo como o Aquífero Guarani e o Sistema Aquífero Grande Amazônia (SAGA) que pode abastecer todas a população mundial por 250 anos pode ter uma crise hídrica tão acentuada? Seria mesmo uma crise hídrica? Ou uma falta de gestão eficiente? Ou ainda a união de ambos?

É um pouco complexo entender e até discutir esse assunto, porém não há como negar que a gestão dos recursos hídricos, da água, tem sido um pouco falha ao longo dos anos. Como entender que a região do país onde temos mais água é também onde a população tem menos água na torneira? Isso acontece com a região norte, com mais de 73% das reservas hídricas brasileiras, 8,3% da população nacional e o menor índice de atendimento da rede de abastecimento de água do Brasil (59,2%) (INSTITUTO ÁGUA SUSTENTÁVEL, 2022).

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Como entender que a superfície hídrica do Brasil teve uma redução de mais de 15% nos últimos 36 anos? O Estado de Mato Grosso Sul um dos mais afetados, perdeu 57% da superfície coberta de água, e a região Amazônia vem em seguida, a redução do fluxo de água na atmosfera na Amazônia devido a uma série de fatores tem causado sérias consequências em diversas regiões do país. Adicionalmente, das 12 grandes bacias hidrográficas do Brasil 8 estão "encolhendo" (G1, 2021).

A explotação e contaminação de aquíferos é outro ponto que está levando a essa crise hídrica e que com gestão poderia ser mitigada e muitos problemas seriam evitados. 

A explotação e contaminação de aquíferos é outro ponto que está levando a essa crise hídrica e que com gestão poderia ser mitigada e muitos problemas seriam evitados.  A título de exemplo que ultrapassa o Brasil e mostra que esse é um problema mundial, na Líbia, a sua capital Trípoli é abastecida pelo maior projeto de abastecimento por poços que se conhece, o chamando Great Man-made River, grande rio feito pelo homem, que é na verdade um aqueduto com 2 metros de diâmetro que transporta água por mais de 2.500 km. Trata-se de água fóssil, uma água que foi armazenada por chuva e infiltração no aquífero há mais de 10.000 anos e que tem seus dias contados, muitos especialistas afirmam que a reserva poderá acabar em 50 anos e o que será feito depois? A gestão dos recursos hídricos e dos problemas sociais que podem vir a ocorrer deve ser realizada já, não há tempo para depois.

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É evidente que muitos fenômenos naturais contribuem para crise hídrica, mas a ação humana acelera e a ação humana também pode ajudar a amenizar os danos, fazer uma boa gestão, gerenciamento e governança hídrica.

Considerar dados históricos de forma detalhada e consistente é fundamental, não é possível fazer uma gestão sem eles e sem monitoramento, no Brasil dados do regime pluviométrico existem desde 1936. Outro ponto é a necessidade de profissionais qualificados, que tenham formação adequada, sejam proativos, que busquem atualizar seus conhecimentos, coordenadores e gerentes que tenham uma equipe disciplinar para propor caminhos mais eficientes, e que tenham em mente que a sustentabilidade é essencial para qualquer área. 

Deste modo, a crise hídrica pode ser sim mitigada com uma boa gestão de recursos hídricos! 

Quer ser esse profissional? Conheça o Curso de Especialização EAD em Gestão de Recursos Hídricos da UFPA, um curso disciplinar, com professores da Universidade e do mercado de trabalho. Além de aulas dinâmicas, o aluno terá acesso a webinars com profissionais já estabelecidos da área. Essa é a sua chance de evoluir: https://youtu.be/qQ4oDfHNeb8

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Referência:
G1, 2021:
https://g1.globo.com/fantastico/noticia/2021/08/22/brasil-colapso-ambiental-pantanal-e-o-bioma-que-mais-perdeu-agua-no-pais.ghtml
INSTITUTO ÁGUA SUSTENTÁVEL, 2022:
https://aguasustentavel.org.br/conteudo/blog/157-um-panorama-geral-sobre-agua-na-regiao-norte
VENTURI, 2021:
https://jornal.usp.br/artigos/crise-hidrica-ou-de-falta-de-gerenciamento-hidrico/

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